Devaneios, delírios, desvarios

por Gustavo Madeira

Oct 21

Juvenal

O Juvenal é um cara humilde. Homem simples, trabalhador, é gente que faz, com suor e lágrimas.

É claro que tem seus momentos de redenção, vez ou outra recebe os amigos para a roda de viola, tomar cachaça e jogar conversa fora. Entretanto, os “dias normais” - como ele costuma dizer - começam cedo, antes do sol raiar e, ás vezes, nem têm hora para terminar.

A lavoura é a vida do Juvenal. Preparar a terra, plantar, cuidar, colher, vender. Rezar e torcer pelo Sol, pela chuva e pela seca, tudo no seu devido tempo. Quando o tempo ajuda é safra graúda, quando o tempo empata é safra miúda. A lavoura é a vida da família do Juvenal há mais ou menos várias gerações, são tantas que ele já perdeu a conta.

O Juvenal realizou um sonho: comprou um telefone celular. Comprou no Rio de Janeiro, através de um parente distante, o aparelho chegou pelo correio muitas semanas depois. “Ele liga, manda mensagem, tira foto, grava, mostra as horas e tudo mais” diz orgulhoso. “Falta só a linha telefônica, o aparelho ainda não dá sinal”. E não há nem previsão de uma operadora ou cobertura celular onde ele mora.

Será que vai demorar, Juvenal?

“Ah, não sei, espero que não”.


Page 1 of 1