Devaneios, delírios, desvarios

por Gustavo Madeira

Jul 29

Conversa a toa

(um texto antigo e que, não, não faz o menor sentido)

Dentro do bolso esquerdo do paletó conversavam os dois botões-reserva e um fiapo de tecido que ali estava largado. O assunto em pauta não poderia ser outro: como ainda permitiam que palavras ao vento ecoassem fora de controle e interrompessem o fluxo e o tráfego aéreo nas regiões mais quentes da Mongólia?

Os botões eram taxativos e defendiam a tese de que este controle deveria ser de responsabilidade de uma comissão formada pelo estado e por associações de classe.

O fiapo sempre fora um tanto rebelde e não era de se apegar muito aos assuntos políticos, claro, estava sempre mudando de bolso. Arriscou um palpite, porém, e disse que o controle de palavras ao vento poderia gerar o descontentamento da população, afinal os tempos da censura se foram, mas deixaram marcas profundas nos corações de todos. Ao menor sinal de perigo, jornalistas, exibicionistas, canetas e entidades de esquerda poderiam querer tomar o poder e, novamente, a ameaça vermelha entraria em cena.

A conversa teria entrado noite a dentro se o botão menor não tivesse tentado suicídio.


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